Colégio Objetivo Júnior

Acesso Restrito Pais e Alunos

Buscar

Destaques

A Alma Encantadora das Ruas

RESUMO

No início do século XX, o Rio de Janeiro pretendia respirar modernidade. Grandes transformações urbanas aconteciam na cidade na época e foram registradas por seu maior cronista: João do Rio, pseudônimo do jornalista Paulo Barreto.

A Alma Encantadora das Ruas é seu terceiro livro e seguramente o mais importante. Aqui, o autor faz um inventário único sobre o que se vê nas ruas da cidade. Vemos o Rio de Janeiro daquela época pelos olhos sensíveis de um observador capaz de perceber as contradições da modernidade, presentes principalmente na diversidade de tipos humanos e na desigualdade social.

A obra é dividida em cinco partes, sendo que a primeira e a última são conferências proferidas em 1905. As demais partes se desdobram em vários textos. “A rua” detalha o espaço público ocupado por diferentes tipos de pessoas; “O que se vê nas ruas” é uma descrição minuciosa e fascinante de várias profissões que ocupam as ruas e também de festas populares;“Três aspectos da miséria” descreve as terríveis condições de vida dos operários e a mendicância, inclusive infantil; “Onde às vezes termina a rua” contém relatos dos presos da Casa de Detenção e, por fim; “A musa das Ruas”, uma espécie de celebração da pujança das ruas, com sua fascinante diversidade.

O texto impressiona pela sua unidade, pois é uma reunião de várias reportagens, crônicas e duas conferências, que, no entanto, formam uma unidade coerente, um panorama sem retoques do Rio de Janeiro da época.

CONTEXTO

Sobre o autor
João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto foi jornalista, cronista, contista e teatrólogo. Ficou conhecido pelo pseudônimo João do Rio. Foi eleito em 7 de maio de 1910 e ocupou a cadeira 26 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Guimarães Passos.

Importância do livro
No livro A Alma Encantadora das Ruas estão reunidas crônicas escritas entre 1904 e 1907. O textos de João do Rio retratam as transformações urbanas que o Rio de Janeiro sofreu na época, quando despontava como capital da nascente república. Jornalista, Paulo Barreto escreveu os melhores textos sobre a vida carioca na chamada Belle Époque.

Período histórico
O livro foi lançado em 1908, período em que o Rio de Janeiro vivia uma época de transformações, a chama Belle Èpoque. João do Rio retrata as mudanças sociais, assim como a busca pelo progresso por parte da burguesia. O jornalista coloca em palavras os fatos do cotidiano carioca no início do século XX.

ANÁLISE

João do Rio foi o primeiro na imprensa brasileira a estabelecer os moldes da moderna reportagem. Lembrado como escritor pela excelência de seus textos, não pode ser esquecido como pioneiro do jornalismo. Atuando em várias editorias, foi do noticiário policial à cobertura de eventos sociais. Por ter esse olhar múltiplo, foi capaz de capturar em suas crônicas a incrível diversidade daquela cidade que parecia render-se à modernidade, transformando-se esteticamente, mas que não abria mão de ocupar a rua. Rua essa amada também pelo cronista, que só por isso foi capaz de, ao mesmo tempo, descrever seus contrastes, criticar seus problemas e saudar seu ímpeto de viver.

As citações de autores estrangeiros como H.G.Wells e Edgar Allan Poe nos revelam um leitor atualizado com a literatura mundial da época. O olhar local não exclui a compreensão global.

O espaço urbano, a urb, como diz nosso cronista, se modifica. Para capturar cada detalhe, é preciso sair à rua e observar, perambular, como ele explica detalhadamente na crônica “A Rua”. Já na crônica “Como se ouve a missa do galo”, João do Rio questiona o sentimento religioso das pessoas, que vão à missa mais preocupadas com os festejos e flertes do que com o sacramento.

A alma das ruas são as pessoas que as ocupam, em um caos organizado que atrai e repele ao mesmo tempo, como se observa nitidamente no desfecho da crônica “Cordões”: “E, agarrado ao braço do meu amigo, arrastado pela impetuosa corrente aberta pela passagem dos ‘Amantes do Sereno’, eu continuei rua abaixo, amarrado ao triunfo e à fúria do cordão!”.

É assim, amarrados ao triunfo e à fúria da cidade, que todos nós, habitantes das urbes modernas do século XXI, continuamos. A obra de João do Rio impressiona por sua contemporaneidade e fascina pelo seu amor pela vida urbana, vida essa que é, hoje, a de todos nós.

via: Educação Globo

© Colégio Objetivo Júnior Pirassununga- 2014 | Desenvolvido por Curso Objetivo